Menos pixels, mais amor




Às vezes sinto que tenho dificuldade para conciliar a vivência dos acontecimentos do dia a dia com a vontade de compartilhá-los no Sonhei Ser Pai.


Volta e meia vivemos algo importante com o Martin, penso “não posso esquecer de postar essa”, e quando vou ver o dia já passou e já nem tem tanta graça assim…


Num primeiro momento fico triste por mais uma vez perder o timing. Mas depois penso que na maioria das vezes, isso acontece porque eu estava longe das redes sociais. Mas calma lá... isso não deveria ser tão mal, certo?


Sei que vários outros pais que decidiram ter um blog sobre o assunto vivem os mesmos dilemas: queremos poder escrever e dividir as histórias da paternidade, mas ao mesmo tempo não perder nem um segundo da vida dos nossos pequenos. Indo mais além, fica fácil ampliar essa sensação pra nossa vida normal: todo mundo quer estar conectado o dia todo, acompanhando as notícias, os memes e as novidades, mas muito mais geralmente do que gostaríamos nos pegamos pensando que bom mesmo seria poder se desconectar um pouco.


A linha de ser alguém que curte as redes sociais sem perder a vida real é tênue e nem sempre fácil de encontrar, mas cada vez mais necessária.


Não é preciso ir tão longe, aposto que a grande maioria tem discutido sobre esse assunto constantemente nas rodas de amigos e na própria família - o velho papo de que a tecnologia é ótima, mas também perigosa.


Esses dias, conversando com alguns amigos, falávamos da ferramenta do Instagram que te mostra quanto tempo em média você usa o aplicativo a cada dia. O susto é geral: ninguém acha que aquelas ‘olhadinhas rápidas’ nos stories da galera acabam consumindo tantas horas por dia. Eu me orgulhei em ver que minha média era de apenas alguns minutos por dia, mas ainda assim sei que na prática eu estou muito mais online do que deveria (ou pelo menos gostaria).


Esse texto é um ótimo exemplo de tudo isso. Foi escrito no Natal (!) e até agora estava guardado... Nesse meio tempo, claro que aconteceram milhares de coisas incríveis e que nem todas vieram parar nas redes sociais. Martin comemorou seu primeiro aniversário, voltou para o berçário, foi pra praia, passou os últimos dois meses pelado aproveitando o calor, até que de repente já está quase andando sozinho pra lá e pra cá. Lembro que quando escrevi era dia 26 de dezembro, ainda estávamos meio extasiados pela primeira noite de Natal com o Tintin e tínhamos fugido pra fazenda, onde ficamos totalmente sem sinal de celular. A noite tinha sido incrível mas eu não tinha registrado nada. Era o dia seguinte e eu estava preocupado por não ter postado nada de Natal. Fala sério, né?


O que eu quero dizer é que, assim como a maioria das pessoas, eu também adoro registrar bons momentos. Ter câmeras legais na mão na hora certa, um iPhone novo de alguém pra poder tirar aquelas fotos com foco bonito e fazer stories engraçados do Martin que não para de mudar a cada dia. Mas nenhuma dessas imagens fica tão bonita quanto as que eu gravo na minha memória. Essas são minhas preferidas, mesmo que às vezes eu pense “não posso esquecer de postar essa”, e quando eu vou ver o dia já passou e já nem tem tanta graça assim… Essas têm menos pixels, mas muito mais amor.




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